Neste estranho tempo, é-nos dado acima de tudo tempo.
Mas um tempo diferente do tempo que sempre tivemos. Um tempo muito diferente.
Com tempo, sem tempo...
Tenho-me interpelado muito, também com a ajuda deste poema que neste tempo me caiu nas mãos, Do que faço e não faço do meu tempo.
Deus pede hoje estrita conta do meu tempo E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu que gastei sem conta tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta. Não quis, tendo tempo, fazer conta. Hoje quero fazer conta e não há tempo.
O tempo me foi dado e não fiz conta. Não quis, tendo tempo, fazer conta. Hoje quero fazer conta e não há tempo.
Oh! Vós, que tendes tempo sem ter conta, Não gasteis vosso tempo em passatempo. Cuidai, enquanto é tempo em fazer conta.
Pois aqueles que sem conta gastam tempo, Quando o tempo chegar de prestar conta, Chorarão, como eu, se não der tempo.
Frei António das Chagas (1631-1682)
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