sexta-feira, 3 de abril de 2020

Neste estranho tempo, é-nos dado acima de tudo tempo. 
Mas um tempo diferente do tempo que sempre tivemos. Um tempo muito diferente.
Com tempo, sem tempo... 
Tenho-me interpelado muito, também com a ajuda deste poema que neste tempo me caiu nas mãos,  Do que faço e não faço do meu tempo.

Deus pede hoje estrita conta do meu tempo E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu que gastei sem conta tanto tempo? 
Para ter minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta. Não quis, tendo tempo, fazer conta. Hoje quero fazer conta e não há tempo. 
Oh! Vós, que tendes tempo sem ter conta, Não gasteis vosso tempo em passatempo. Cuidai, enquanto é tempo em fazer conta. 

Pois aqueles que sem conta gastam tempo, Quando o tempo chegar de prestar conta, Chorarão, como eu, se não der tempo. 

Frei António das Chagas (1631-1682)  

Sem comentários:

Enviar um comentário